quarta-feira, 25 de junho de 2008

efemerides















ouvi-te hoje outra vez.
continuas a não ser tu.

anonimidade


não digas a ninguém que me conheces.

Nem tudo tem um duplo sentido


em mais nenhum sitio passas por alguém com arrogancia tal.
em mais nenhum sitio as palavras são tão erradamente interpretadas.
em lado nenhum existe uma pessoa que te deveria conhecer melhor que ninguém.
que te deveria.

falar
não falar
desistir
às vezes o cansaço sobrepõe tudo o resto

doi-me a cabeça de te aturar.
custa-me dizer isto.
doi-me a cabeça de não perceberes nada do que te digo.
Será que não me sei explicar?

exageros


morro se tiver de aqui ficar mais um dia que seja.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

a profundidade mede-se em polegadas





às vezes achamos que somos muito profundos. depois concluimos que a única coisa profunda em nós é a nossa estupidez.

pt1

fazes um blog para te afagar o ego.
fazes um blog porque pensas que tens algo para dizer.
fazes um blog para te distraires
para não fazeres outra coisa
para alguém ler
para tu leres
para ninguém ler
para poderes apagar o que escreves
para te arrependeres
fazes um blog porque achas que te ajuda
que te vais sentir minimamente melhor
é só um blog
um acto ridiculo
mas não há nada que não o seja
fazes um blog e tens necessidade de explicar porque o fizeste
não sabes porque
fazes um blog porque querias que a tua vida tivesse botões de edit
fazes um blog porque queres mostrar algo e tens vergonha
fazes um blog por todas as razões e mais algumas e nenhuma te serve de nada

vives por todas as razões e mais algumas e nenhuma te serve de nada

as pernas dela


até podiam ser as mais belas do mundo.
Mas enquanto eu não a amar, não vão passar de um suporte.

sobre o pai de alguém

Ele chegava sempre do trabalho por volta desta hora.
Onze da noite.
Meia noite.
Uma da manhã.
A hora em que eu estava no computador.
Ouvia o carro.
Ouvia o portão a abrir.
O carro a ser estacionado.
A chave no portão.
Uma passagem pela minha porta aberta.
"Olá. Ainda ai?"
Num tom de reprovação despreocupada.
Num tom de gozo às vezes.
"Não fazes mais nada."
Passava o dia na escola.
Com os amigos.
A fazer o que seja.
Mas ele chegava sempre aquela hora.
"Não fazes mais nada."

Ele foi.
Diz que volta.
Às vezes passam carros neste rua quase deserta a noite.
Às vezes pareço ouvi-lo a chegar.
Às vezes sinto que deveria ter saudades.